O CONHECIMENTO É UM INVESTIMENTO FUNDAMENTAL (Pichinin)


A MELHOR ESTRATÉGIA DE AÇÃO E A MATÉRIA ESCOLAR MAIS PRIVILEGIADA PARA DESENVOLVER NO ALUNADO A CONSCIÊNCIA DA COLETIVIDADE.

20-04-2011 11:16

A melhor estratégia de ação e a matéria escolar mais privilegiada para desenvolver no alunado a consciência da coletividade..xps (273,5 kB)

1. DAILTON SIDNEI PICHININ
 
1. Mestrando em Ciências do Movimento Humano; Especialização em Prática Docente no Ensino Superior e Uso das Tecnologias; Especialização em Educação Física Escolar; Graduação em Educação Física. 
 
Os tempos atuais trazem a importância de práticas diferenciadas pelas escolas e assim tentar atender as necessidades sociais contemporâneas. Assim, este trabalho visa discutir qual a melhor estratégia de ação e ao mesmo tempo qual a matéria escolar mais privilegiada para desenvolver no alunado a consciência da coletividade.
 
INDIVIDUALISMO
 
Para a comunidade humana se constituir organizada precisará superar o egocentrismo. Conquistar a individualidade é importante. Porém, se torna imperativo ultrapassar a condição presente que tem o individualismo como centro e atingir uma condição descentralizadora, vivendo de forma cooperativa, onde o individual nunca superará a coletividade.
Inumeráveis episódios confirmam que vivemos bem mais de forma individualista do que no coletivismo. A maioria de nós, por exemplo, atravessou a escolarização do ensino básico (onze anos) convivendo de forma isolada nas carteiras das salas de aula, sendo verdadeiramente adestrados para atuarmos sozinhos. Na maioria das vezes, as atividades disciplinares se consistiam, e tal fato ainda persiste em muitos lugares, em tarefas que deveríamos executar sem o auxílio dos companheiros e muitas vezes as poucas atividades coletivas não tinham a mínima relevância para o social.
 
AS SOLITÁRIAS
 
Nas avaliações as punições mais rigorosas incidiam sobre os estudantes mais conversadores. Os bancos escolares, freqüentemente, representavam autenticas “solitárias”, construídas com o intuito de evitar diálogos. Falar e se mexer não era permitido. No entanto, devemos lembrar que para aprender uma criança precisa ser tratada como o que ela é, ou seja, uma criança. Isso significa admitir o seu direito ao ambiente indispensável do movimentar-se.
Uma proposta educativa libertadora não pode compactuar com o isolamento de alunos apenas aos pequenos espaços de suas carteiras. O movimentar-se é indispensável, uma vez que, promove inúmeros benefícios e também um relacionamento direto entre as pessoas.
 
FORA DA ESCOLA
 
Esse adestramento para uma vida particular e/ou individual se prolonga também fora da escola, através de um tempo ocioso em frente da TV e/ou computadores, onde a relação com as pessoas é sobrepujada por esses meios tecnológicos de multimídia.
 
ENSINAR PARA A COLETIVIDADE
 
Atualmente um conjunto de problemas (desemprego, a fome, e muitos outros) nos desafia, e atuações de individualismo jamais os solucionarão. Assim, o educador comprometido e apreensivo com o destino do ser humano, precisa centralizar seu empenho para que a educação trilhe na direção de ensinar para a agregação e não a separação.
Nós fomos adestrados a raciocinar e atuar individualmente e os problemas mais críticos hoje em dia, demandam raciocínios e atuações norteadas para a sociedade. A extrema valorização da individualização nos leva a criar habilidades de raciocinar de forma coletiva e assim satisfazer as atuais dificuldades contemporâneas. Deste modo, “todas” as matérias curriculares devem indicar saídas no sentido do viver em sociedade.
 
COOPERAÇÃO
 
As disciplinas precisam determinar seus objetivos. Porém, devem estar delimitados em objetivos superiores e gerais, desenvolvendo o sentido da cooperação. Além dos objetivos que são específicos e correspondentes a cada domínio disciplinar, é preciso também, que estejam delimitados por propósitos superiores e gerais, ou seja, entre todas as matérias da escola, em busca de um objetivo.
A acumulação desmedida do patrimônio para si próprio está aniquilando o planeta e o conhecimento no sentido de sensibilizar para superar esse fato se torna imprescindível.
 
A EDUCAÇÃO FÍSICA
 
Desenvolver a pessoa num ambiente humano (sociocultural) precisa ser o propósito central das disciplinas escolares. Torna-se imperativo a valorização das atividades coletivas, e nesse sentido, a Educação Física, possui como recursos o privilégio dos jogos, considerado atualmente como uma preparação para o viver em sociedade. No entanto, a Educação Física precisa evitar o modelo que se faz presente nas outras disciplinas de transferidoras de conhecimentos, que tem seu foco na avaliação quantitativa e não qualitativa. Pois, se isso acontecer às conseqüências em relação a esse campo especificamente será tão catastrófico quanto na maioria das outras áreas. Ou seja, é essencial não reproduzir os enganos das outras matérias. A Educação Física deve interferir muito mais no desenvolvimento de saberes do que transmissora de conhecimentos.
A finalidade das matérias escolares é o de educar para pensar e agir para a vida em comunidade. Ensinar para a individualidade é importante. Porém, não deve ser o foco.
 
RESISTÊNCIA A DISCUSSÕES
 
Há um atual consenso quanto à definição dos conteúdos da Educação Física em jogos, esportes, danças, ginásticas e lutas, que contribuem para edificação de uma identidade nessa área. Todavia, entendemos tal consenso tanto quanto apressado, produto de uma verdadeira resistência a discussões, e nesse sentido, ainda são necessárias muitas pesquisas e debates. Sobre o “jogo”, por exemplo, ainda muito pouco se conhece.
 
AUTONOMIA
 
O propósito das disciplinas curriculares e também da Educação Física precisa ser o de ensinar para a cidadania, onde a coletivismo não seja subjugado pelo individualismo e o intelecto não se reduza ao conhecimento de cálculos ou proferir dialetos. O saber ensinado por todas as especialidades são importantes, entretanto são complementos de uma concepção maior, para a independência e/ou autonomia. Uma vez que as vivências da infância e adolescência influenciarão o futuro adulto. 
 
CONCLUSÕES
 
Os problemas atuais exigem a habilidade de atuações para o grupal e não para a individualidade. Portanto concluímos que se torna imperativo as matérias escolares terem como foco atividades em grupos, envolvendo os alunos coletivamente sempre que possível, e assim preparar e educar para a totalidade e/ou o viver em sociedade. A prática de tarefas coletivas (com o outro) é o melhor meio para desenvolver um adulto consciente da união grupal.
A educação precisa direcionar todos os esforços na direção de ensinar para o conjunto e/ou o social. Nesse sentido, a Educação Física é a ciência mais privilegiada para desenvolver no alunado a consciência para o social, Já que, através dos jogos pode desenvolver a coletividade. Vale ressalvar, que os problemas atuais exigem pensamentos e ações voltadas para o coletivo. Não tem sentido o isolamento de alunos em carteiras e desejar depois, que eles sejam bons cidadãos.
 
 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
FREIRE, J. B. Educação de corpo inteiro. São Paulo Scipione, 1992.
 
FREIRE, J. B. De corpo e alma. São Paulo: Summus, 1989.
 
FREIRE, J.B., SCAGLIA, A.J. Educação como prática corporal. São Paulo: Scipione, 2003.
 
HILDEBRANT, R. & LANGIN, G.R. Concepções abertas no ensino da educação física. Rio de Janeiro, Ao livro técnico, 1986.
 
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: Educação física. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.
 
                   

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